BE defende gestão preventiva da água para evitar “consequências desastrosas” no Algarve ..diariOnline RS 10 Dez 2019 10:29 Ambiente
O Bloco de Esquerda/Algarve debateu, no passado fim de semana, em Tavira, a sustentabilidade hídrica da região, defendendo uma gestão preventiva da água para evitar, no futuro, “consequências desastrosas” como a falta daquele recurso natural.
“Considerando a problemática das secas e da escassez de água, procurando impedir o seu agravamento no futuro, ou pelo menos atenuar esses problemas, deve o governo e outras entidades públicas fazer uma gestão preventiva da água, considerá-la como um recurso estratégico e mantendo-a sob a esfera pública”, sustenta o BE.
Os bloquistas frisam que “é necessário reduzir a procura da água”, através do aumento da eficiência da sua utilização nos diferentes setores, como nas regas, a contribuindo para “prevenir e evitar consequências desastrosas, como a falta de água”.
“Não devem ser licenciados novos projetos agrícolas na região que utilizem culturas intensivas – além de gastarem mais água, provocam graves danos ambientais –, os agricultores devem optar por culturas melhor adaptadas e mais resilientes e é preciso avançar com processos para a reutilização da água a partir das ETAR – para regas de jardins e campos de golfe, lavagens de ruas e fins industriais a agrícolas”, propõem os bloquistas.
O BE/Algarve sublinha ainda que as empresas da região “não se podem alhear do problema”, devendo mesmo participar em projetos de pagamento de serviços dos ecossistemas.
“É preciso que haja investimentos sérios, nomeadamente públicos, em projetos de futuro, como já acontece em alguns países que vivem com problemas de seca e escassez de água”, acrescentam os bloquistas, que deixam como exemplos o recurso aos hidropainéis nos edifícios públicos e a construção de centrais de dessalinização, utilizando as novas tecnologias e as energias renováveis.
A força política recorda que o Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, elaborado pela AMAL, prevê que os recursos de águas superficiais e subterrâneas no Algarve “irão ficar sujeitos a grandes pressões devido aos consumos agrícolas domésticos e industriais”.
A diminuição da precipitação na região e as secas “serão mais frequentes e mais duráveis, o que implicará a redução os recursos hídricos”, assegura o BE, acrescentando que, no Algarve, os consumos de água aumentaram “dez vezes nos últimos 50 anos, com particular incidência na agricultura e no turismo”.
O encontro subordinado ao tema «Sustentabilidade Hídrica no Algarve» decorreu na Biblioteca Municipal de Tavira no passado sábado, 7, contando, entre os oradores, com especialistas sobre a temática da água, como Afonso do Ó, doutorado em Ambiente e Riscos Naturais e pós-doutorado em Gestão de Bacias Hidrográficas, e Manuel Costa, doutorado em Agro-Ambiente, com especialização em águas residuais, assim como Luís Fernandes, membro da concelhia de Tavira e da comissão coordenadora distrital do BE, e João Vasconcelos, deputado do BE.
O grupo parlamentar do BE deverá apresentar algumas iniciativas parlamentares nas próximas semanas, “considerando os problemas existentes em torno da seca, a escassez de água e a sustentabilidade dos recursos hídricos no Algarve”.