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A caótica política regional do PS

 

É evidente que a política não é uma coisa sempre certinha. Ele há contradições aqui e além. Também há divergência e os Partidos têm no seu seio alguma diversidade. No entanto, há coisas que espantam de tanta diversidade. Até parece “a da Joana” ou um “albergue Espanhol”. 

Teve destaque nos meios de informação a criação de duas empresas municipais em Vila Real de Santo António criadas para gerir o património. Todavia esta notícia não é verdadeiramente onde está a notícia. Também não é notícia o facto do PCP ter votado contra, nem a tomada de posição pública do Bloco de Esquerda contra tal proposta. A notícia é que a proposta foi aprovada na Assembleia Municipal com os votos do PSD e de 2, apenas dois, membros do PS. Todo o grupo do PS tinha decidido votar contra a criação das referidas empresas municipais. Estes dois”trânsfugas” vão ser punidos pela estrutura concelhia do Partido Socialista por terem divergido numa matéria tão importante, dizia a informação regional. 

Assim, VRSA torna-se famosa por as estruturas do PS estarem em consonância com o BE e PCP em matéria de oposição à criação de empresas municipais. Efectivamente, por toda a região algarvia, o PS tem defendido e proposto nas Câmaras em que tem a Presidência a criação de empresas municipais. O processo de promover a privatização, sob a forma de parcerias de natureza empresarial de tipo público - privado, promovendo as autarquias ao papel de empresário em matérias de serviço público tem sido uma política claramente defendida pelo PS. Resta-nos agora saber se os dois divergentes, afinal terão a solidariedade do PS da região e se a concelhia vai ser criticada, ou se, afinal, amigo não empata amigo e cada qual faz o que quer. Que diferença fará haver uma política que cria uma empresa para a gestão da distribuição da água em Faro e ser-se contra a criação de uma empresa para a gestão do património público em Vila Real? 

Em Faro, ficamos a saber que as dívidas do Município são de tal modo elevadas que praticamente toda a capacidade de iniciativa está comprometida, assim como haverá dificuldade em assegurar pagamentos a fornecedores e obrigará a uma redução dos apoios às entidades associativas do Concelho. Todavia o Município de Faro é proprietário do Estádio de S. Luís que vale muitos milhões. Assembleia Municipal acaba de aprovar com os votos do PS e do PSD a alienação deste importante espaço no centro da cidade para que o Farense a possa colocar no mercado da construção civil e deste modo pagar as dívidas que tem. É um escândalo que os deputados municipais utilizem o património público e esbanjem o que é do povo nos gastos estúpidos de um futebol sem sentido. O espaço do S. Luís, se deixar de ser estádio de futebol deveria ser entregue aos farenses como um espaço aberto, verde e de lazer que a cidade bem precisa, ou então, uma reserva para a expansão do Hospital que poderia assim ver resolvidos os problemas que tem. Mas, se pensarem vender para mais construção poderia render grande parte dos milhões que a Câmara tem falta para pagar o que deve e assim poder ter uma gestão a favor da qualificação da cidade em benefício dos farenses. De qualquer modo a entrega a um clube privado, por muita utilidade pública que tenha, do património municipal contra os interesses do Município e dos farenses é um crime, pelo menos político, mas se calhar, mesmo de polícia.